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Polícia Científica vistoria casa onde zelador foi achado após ter sido morto



Trabalho foi concentrado no banheiro, onde corpo teria sido serrado.
Vizinhos acompanharam a perícia; moradores picharam o muro da casa.


Moradores picharam muro de casa onde corpo de zelador foi encontrado (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Agentes da Polícia Científica estiveram novamente na casa onde foi encontrado o corpo do zelador Jesi Lopes de Souza, de 63 anos, morto em São Paulo e trazido dentro de uma mala para Praia Grande, no litoral paulista, para tentar encontrar provas que possam ajudar na elucidação do caso. Eles usaram um produto químico que, com a ajuda de uma lanterna, pode identificar a presença de sangue, mesmo que o local já tenha sido lavado. Boa parte do trabalho foi concentrada no banheiro, onde o corpo da vítima teria sido serrado.
O muro da casa foi pichado com um pedido de justiça e vizinhos acompanharam de fora o trabalho da perícia. O comerciante Ricardo Camisso afirma que tem a sensação de estar em um filme. “Parece que estamos em um filme de terror. É para a gente ficar chocado, pensar que uma pessoa pode fazer isso com outra, não dá para acreditar”, comenta.
Uma das informações que a perícia pode fornecer é se a esposa do suspeito participou ou não do crime. A família do zelador espera o reconhecimento do corpo, que deve ser feito pelo reconhecimento da arcada dentária ou por meio de exames de DNA.

A filha do zelador, Sheyla Viana de Souza, de 27 anos, esteve na tarde desta quarta-feira (4) no Instituto Médico Legal (IML) de Santos para realizar a coleta de sangue para os exames de DNA. Ela chegou acompanhada do namorado, do tio e de um primo. Josafá Lopes de Souza, que é irmão da vítima, também coletou o material. Durante a espera, a jovem chorou muito. “O cara é um monstro pelo que fez. Está cada dia pior, até para enterrar meu pai está difícil. Nem isso eu estou conseguindo”, lamenta.
Filha e tio de zelador morto coletam sangue para DNA no litoral de SP (Foto: Reprodução/TV Tribuna)Filha e tio de zelador morto coletaram sangue para
DNA (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
Inocentou a mulher
A advogada Ieda Cristina Martins, de 42 anos, mulher do publicitário, deixou na noite de terça-feira (3) o 89º DP no Morumbi beneficiada pela revogação da prisão temporária expedida pelo juiz Rodrigo Tellini, da 2ª Vara do Júri do Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo. As informações são do advogado do casal, Marcelo Primo.
Eduardo Martins segue preso no 77º DP, em Santa Cecília.
Em vídeo obtido pela TV Globo, feito logo após sua prisão em Praia Grande, o publicitário inocenta a mulher pela morte do zelador. “Ele bateu a quina no batente da porta mesmo, bateu e já caiu nós dois (sic) para dentro do apartamento. Quando ele caiu, eu fechei a porta. Aí fui lá, olhei os sinais vitais dele, se já estava morto."
O publicitário acrescentou que se desesperou. "Peguei, saí na porta, olhei, olhei. Me desesperei. Fui, peguei a mala. Enrolei ele num um cobertor, coloquei dentro da mala. Fiquei sem saber o que fazer. Coloquei inteiro dentro da mala. Não sabia o que fazer."
Eduardo Martins disse que fez tudo isso sem que sua mulher, a advogada Ieda Cristina, soubesse. "Ela ia chegar, a gente ia fazer o trabalho de escola do meu menino. No domingo, nós saímos e eu falei para ela: 'ó, preciso resolver um problemas'. E aí eu vim para cá [Praia Grande]."
publicitário Eduardo Tadeu Pinto Martins, zelador Jezi Lopes de Souza,  (Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)Publicitário Eduardo Tadeu Pinto Martins (Foto:
Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
Questionado se tinha levado o corpo em companhia de sua mulher, ele negou. "Voltei sozinho. Depois voltei [para São Paulo], encontrei com ela, nós saímos, fomos jantar. No sábado teve o pessoal da polícia vistoriando lá o apartamento."
Sobre o que havia afirmado aos agentes no momento da vistoria, o publicitário disse que mentiu. "Falei que não tinha acontecido nada. Que eu tinha minhas brigas com ele, mas que não tinha acontecido nada."
Segundo o advogado Marcelo Primo, a divulgação do vídeo pode ter ajudado na decisão da Justiça de revogar a prisão temporária.
Eduardo Martins deverá ser indiciado por homicídio triplamente qualificado, segundo a Secretaria da Segurança Pública (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima).
Zelador Jezi (Foto: Reprodução / TV Globo)O zelador Jezi Lopes foi morto em São PAulo (Foto:
Reprodução/TV Globo)
Câmeras de segurança
O zelador desapareceu no prédio onde trabalhava, na Zona Norte, no dia 30. A última imagem registrada pelas câmeras de segurança mostram Jezi saindo com cartas na mão. Outras imagens mostraram Eduardo Martins saindo com malas.
Segundo a polícia e familiares da vítima, ambos brigavam por questões como a entrega de jornais e a divisão de vagas de garagem.
A polícia vai pedir a quebra dos sigilos bancário (para saber de Ieda comprou a mala usada para deixar o corpo com cartão de crédito) e telefônico e o registro das antenas de telefonia celular (para saber onde o aparelho do casal foi usado).
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